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domingo, 14 de agosto de 2011

Comer Rezar Amar


" - Quando tento meditar, parece que só estou discutindo comigo mesma.
   - Isso é só o seu ego tentando garantir que sempre vai estar no controle. É para isso que o seu ego serve. Ele faz você se sentir afastada, faz você ter uma sensação de dualidade, tenta te convencer de que você é uma pessoa falha, imperfeita e sozinha, em vez de inteira.
   - Mas como é que isso pode me ajudar?
   - Isso não te ajuda. A função do seu ego não é te ajudar. A única função dele é se manter no poder. E, neste momento, o seu ego está morrendo de medo, porque as asas dele estão prestes a serem cortadas. Se você continuar neste caminho espiritual, baby, os dias desse menino mau estão contados. Muito em breve, o seu ego vai estar desempregado, e o seu coração vai estar tomando todas as decisões. Então o seu ego esta lutando pela própria sobrevivência, jogando com a sua mente, tentando mostrar a autoridade dele, tentando te manter encurralada em um cubículo, afastada de resto do universo. Não dê ouvidos a ele.
   - Como é que se faz para não dar ouvidos?
  - Já tentou tirar um brinquedo de uma criança pequena? Eles não gostam, não é? Começam a espernear e berrar. A melhor maneira de tirar um brinquedo de uma criança é distrair o moleque, dar a ele alguma outra coisa para brincar. Mudar o foco da sua atenção. Em vez de tentar tirar os pensamentos da sua mente na marra, arrume alguma coisa melhor para a sua mente brincar. Alguma coisa mais saudável.
   - Tipo o quê?
   - Tipo amor, Sacolão. Puro e divino amor."

(Elizabeth Gilbert in: Comer Rezar Amar. Ed. Objetiva, p. 148-149)




Aos poucos eles notavam que não era mais um sentimento de bem-estar. Aos poucos eles notaram que eles queriam algo a longo prazo. Algo que durasse o tempo suficiente para eles sentirem-se melhor um com outro. Algo que realmente pudesse valer a pena não só pelo agora, não só pelo momento, mas que fosse intenso, não importasse a duração. Eles não queriam nomear qualquer coisa que fosse, pois talvez nomear sempre limita o que se está sentindo. Eles apenas queriam sentir. O que quer fosse, eles queriam conhecer sem nomear, sem limitar, sem querer determinar prazo de fabricação e validade. Sem querer dizer o que era vantojoso ou não daquilo. Não havia compromisso, não haviam pressões. Assim como são os sentimentos que surgem sem a mínima permissão, eles queriam estar assim. Livres, em um duelo do coração. Não sabiam quanto tempo a razão iria deixá-los ficar assim. Estavam aproveitando o tempo em que a emoção era dona daquilo tudo. Em que ela coordenava para onde eles iriam. Eles não tinha orientação a não ser a intensidade do brilho do olhar de cada um. Alguns que observavam achavam loucura ou talvez uma coisa sem a miníma comprovação de que pudesse dar certo. Mas quem disse que existe ciência quando se trata de coisas do coração? Não o coração de veias e rei supremo do nosso frágil corpo humano. Mas o coração daqueles que sentem, daqueles que se machucam por momentos de alegria ao ver quem se ama ou quem se gosta. Coração dono dos nossos pensamentos quando a razão insiste em falhar. 



jp