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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Será que amar é mesmo tudo?



Essa não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também...



" O que eu também não entendo - Jota Quest"

" Cada vez mais as pesquisas procuram achar um padrão nos comportamentos amorosos. Mais uma vez uma possibilidade de uma abstração tão intensa que só poderia existir como uma ciência exata. Como achar que o horóscopo influência sua vida. E depois se dar conta de que todo o movimento do universo influencia sua vida, não com paixões ou sorte no trabalho, mas coisas menores, como a contagem do tempo e a gravidade. Mas existirá esse padrão ? Ciência sempre procurando controvérsias para si mesma. Acreditar no padrão, de certa forma é acreditar em um destino, com as pessoas predeterminadas entre si. Tá vendo só ? Achar que o seu príncipe encantado no cavalo branco ou a mulher ideal vai aparecer não é Cinderela, é aquela sua velha apostila de Física ou Química mesmo. Como agora toda a pieguice do amor foi desmistificada como puramente científica, me sinto livre pra contar sobre quando estava tentando falar pra uma garota sobre como estava apaixonado por ela.      Disse que essas coisas não se explicam porque coração não vem com manual de instruções. E se vier, provavelmente é em inglês ou japonês. Amor como os das comédias românticas hollywoodianas só importando do estrangeiro. Aqui só se vive o bom amor brasileiro, pela vida e seu carnaval de sentimentos, como saído da ruiva cabeça de Rita Lee."


Pedro Malta.

Escadas.

     No Rio ou em Tóquio, seria uma cena comum de se ver em qualquer academia. Uma mulher naquela fase do “trenta” (para os não iniciados: aquela fase nebulosa entre os 30 e 40 anos) super concentrada nos seus exercícios: subir os degraus de uma escada, ou melhor dizendo, subir os degraus de um aparelho que simula uma escada rolante, degraus infinitos sem chegar a lugar nenhum, a não ser talvez coxas mais bem definidas. 
         Tamanho empenho da mulher poderia me fazer jurar que ela estava se sentindo subindo a escadaria da Penha cumprindo promessa. O banal é a anormalidade que se infiltra no cotidiano, se disfarçando de comum, só esperando a gente desviar o olho da tv pra enxergar a realidade. Quando eu era pequeno me entediava fácil dentro de lojas de roupas para onde era levado sob livre e espontânea pressão por minha mãe, de lá pra cá pouca coisa mudou, mas eu me lembro de ficar tanto tempo sentado em bancos de shopping que alguém perguntava se eu estava contando os degraus da escada rolante. 
          Minhas manhãs de sábado assistindo desenhos animados no sbt voltaram assim que desembarquei no aeroporto de Atlanta, nos EUA. Me senti no desenho dos Jetsons: não era preciso andar pelo saguão, uma esteira gigante levava você de um portão para o outro. A geração escada-rolante vive numa contraditória inércia em pleno movimento, a força maior do comodismo é que nos leva por caminhos que nem sempre queremos ir, mas que pelo menos não temos que ir andando pra chegar.
         O conceito de infinito como o deslizamento das esteiras pode ser enlouquecedor: distâncias, quilômetros percorridos sem que você saia do lugar. E o mundo, ele próprio continua girando, sem necessariamente chegar a algum lugar… 
        Lewis Carroll soltou em Alice dezenas de metáforas sobre a emburrada, burocrática sociedade inglesa da época. Em certo momento acontece no País das Maravilhas a “corrida para lugar nenhum”, sem início ou começo, sem ganhadores ou perdedores. Existe apenas o meio e o tédio é uma constante. Do controle remoto as esteiras dos Jetsons o homem vive nesse meio constante, o centro das curvas do 8 eterno, enquanto infinitamente durável, não que Vinícius de Moraes fosse matemático… 
         Pessoas correndo em esteiras de frente para janelas na academia do meu condomínio. Quem vê de longe parece que estão cada vez mais rápidos tentando fugir, sair para a liberdade. Com suas garrafinhas de água ao lado, é cada vez mais irrestível a comparação com ratinhos brancos correndo na rodinha da gaiola. E aí, o que vamos fazer hoje Cérebro ? Deixar-se dominar por um mundo que a gente tem preguiça de conhecer nas voltas que nos enrolam as escadas rolantes…

  Pedro Malta