
Era uma noite assombrosa e fria. Um mero coração apaixonado de desespero batia. Ele não sabia que fazer. Ela não sabia até onde ia. E uma constante insegurança entre os dois surgia.
- Será que ela me quer? - Gritava um pobre coração;
- Será se eu posso corresponder?– O outro gritava diante mão.
Os destinos eram cruzados. Nenhum podia negar. O que deixava em dúvida era em que dia os dois iriam acordar. Acordar da ilusão da insegurança. Acordar da utopia irreal de que os dois não se pertenciam.
Era como se eles achassem que o que estava traçado não poderia existir. Mas eles sabiam que algo os unia. O medo de amar de novo era vindo de decepções anteriores. O coração ainda não tinha conseguido nenhuma sutura suficiente para esquecer tudo o que foi vivido. A solidão, a tristeza os rondava e os acompanhavam constantemente. O medo de a ferida ser aberta era muito maior do que qualquer amor que tentasse nascer naqueles corações espinhosos.
Os encontros não marcados, os olhares contidos, à vontade e o não querer. Isso os confundia diariamente, e o que pra eles era dúvida, virou certeza.
O tempo passou, a sutura se fortificou ou ao menos deu uma trégua. Os dois novamente se encontraram e o feixe de raios que transpassou de um olhar pra outro foi maior que qualquer resistência. A razão tentava alertá-los o que era conivente, o coração pedia que tudo fosse vivido e esquecido. Ao fim, o coração venceu. A noite fria e sombria de corações apaixonados tornou-se noites quentes e acumulantes do calor recíproco. O que até então era uma antítese, virou um completo sinônimo. O que eles tentavam separar um do outro como água e óleo transformou-se em uma mistura totalmente homogênea. Eles eram miscíveis um ao outro de uma forma esplendida. O coração de ambos nunca sentiu tal encaixe. Era como se um fosse o resto às outras 124 peças do quebra-cabeça do outro. Era um completo que não aceitava lacunas vagando. Uma virtude de um, cobria o defeito do outro.
Ao fim, não sei se foi um “final feliz”. Mas pelo menos “um por enquanto te quero” existia.
Quem procura um amor assim?